O que ainda falta para o Linux ser mais aceito nos desktop?

Sei que essa pergunta já foi exposta por diversos blogs, revistas, etc., mas não pude deixar de colocar no meu blog a minha visão sobre o assunto.

Sou usuário Linux desde 1996, quando mal se ouvia dizer alguma coisa sobre o sistema operacional e o mesmo era muito criticado (com razão) por diversas pessoas por se tratar de um sistema operacional complicado de instalar e configurar.

Em 1998 comecei a dar aulas oficiais do Conectiva Linux em Maringá-PR e eu creio que fui um dos primeiros instrutores oficiais (e certificado) da Conectiva a ministrar os cursos no interior do Paraná e porque não do Paraná inteiro.

Em 2000 comecei a trabalhar na Conectiva em Curitiba e posteriormente transferido para o Rio de Janeiro, onde em 2004 fui demitido pelo fato de a empresa ter fechado suas operações na cidade.

Sendo assim, posso dizer que eu pude acompanhar muito a evolução do Linux tanto para servidores, quanto para desktop. Acompanhei surgimentos de projetos que prometeram ser inovadores, assim como a morte de diversos deles. Acompanhei o surgimento de dezenas de distribuições Linux que também prometeram muitas coisas, assim como também a morte de diversas delas.

Já acompanhei diversas pesquisas nacionais e internacionais afirmando que o Linux teria uma grande fatia da utilização em desktop em diversos anos e nenhuma dessas pesquisas acertaram.

Nem com o computador popular o sistema não emplacou, onde os próprio vendedores vendiam o computador e o serviço de instalação do Windows pirata.

Mas voltando para a questão: Porque o Linux tem pouca aceitação para desktops?

Na minha opinião:

Jogos

Apesar do Linux possuir muitos jogos, a grande maioria é desenvolvida para o Windows. Muitos não concordam comigo, mas a maior quantidade de usuários de computadores possui a faixa etária entre 10 a 25 anos (meu filho completará 3 anos e já usa computador para brincar e assistir vídeos no Youtube) e nessa faixa etária há um consumo muito grande de jogos. Basta acompanhar listas, sites e grande eventos sobre o assunto. Sendo assim, uma grande parcela de potenciais usuários Linux acabam debandando para o Windows, aprendendo a configurar o sistema operacional de forma que possa ter um desempenho melhor para brincar e obviamente acabam utilizando para outras tarefas, como a utilização da Internet, estudos, etc.

Suíte Office

Aqui muitos fanáticos me criticarão muito! Eu sei disso, mas ainda não temos como comparar o OpenOffice com o Microsoft Office. O MS Office é superior, é leve, bonito e tem muitas funcionalidades que o OpenOffice não possui.

Para o usuário final não adianta afirmar que é normal utilizarem apenas 10% do que o MS Office pode oferecer. Também não adianta promessas de que o OpenOffice ainda está em desenvolvimento de diversas funcionalidades e que algumas serão até superiores ao da Microsoft ou que o padrão ODF será o padrão oficial utilizado por diversos órgão dos governos de diversos países (o MS Office 2011 também é compatível com ODF).

Para muitos usuários, depois do sistema operacional, a suíte Office é o principal aplicativo instalado no computador. Isso quer dizer que enquanto o Linux não tiver uma suíte Office que realmente possa competir de igual para igual com o da Microsoft, isso sempre será um grande obstáculo para que o Linux seja aceito como um sistema operacional voltado realmente para estações de trabalho.

Veja por exemplo o MacOS X da Apple. É um sistema operacional excelente, tem ferramentas interessantes e apesar de ter uma suíte Office muito boa, uma grande parcela dos usuários ainda utilizam a versão para Mac do Microsoft Office, o que torna o sistema completo para o usuário final.

Editores Gráficos

Gimp é bom? Muito bom mesmo? Então porque ele não é muito usado nem mesmo no Windows?

Para quem utiliza somente o Linux, acaba aprendendo a utilizar bem o Gimp e percebe que ele é um excelente manipulador de imagens e conheço pessoas que fazem artes muito melhor no Gimp do que no Photoshop, mas não adianta, não é ainda uma ferramenta que chamou tanto a atenção devido a supremacia do Photoshop.

Há também o Lightroom, uma ferramenta excelente para manipular fotos digitais e que até agora não conheci ferramenta melhor do que ela.

Assim como no caso da suíte office, os usuários do MacOS X também podem contar tanto com o Photoshop quanto o Lightroom, o que para eles o Windows não faz falta alguma.

Distribuições

Pergunte para os usuários Windows e MacOS X qual sistema operacional eles possuem instalado no computador. Sem dúvida responderão Windows + versão ou Mac OS X ou o codnome dele, como por exemplo Snow Leopard.

Agora pergunta para um usuário Linux! Ele responderá: Ubuntu, RedHat, Mandriva, Debian, Slackware, etc.

E o pior é que falará que utiliza o Ubuntu porque acha ruim o RedHat ou porque utilizam o Slackware porque é mais configurável do que os outros e assim vai.

Para um usuário novo, isso é confusão e um bom grande motivo para não utilizar o Linux como sistema operacional padrão em suas estações de trabalho.

Por padrão os projetos no Linux sempre foram fragmentados com diversas equipes trabalhando em projetos diferentes para fazer exatamente a mesma coisa e muitas vezes nem sequer conseguir alcançar seus objetivos. No final o usuário Linux precisa utilizar várias ferramentas para poder tentar complementar o que faltou em outra.

Quem me conhece, sabe o quanto já critiquei isso e sempre fui a favor de ter uma grande equipe trabalhando em um grande projeto do que ter várias equipes pequenas trabalhando em projetos pequenos e muitas vezes sem futuro algum.

O mesmo acontece com as distribuições. Seria muito mais interessante ter as distribuições trabalhando em uma base padrão, que fossem respeitadas por todas, de preferência com as mesmas versões com uma fonte de liberação de novas versões de pacotes e depois, cada uma trabalhar em seus projetos internos, como por exemplo interfaces de configurações, aplicativos próprios, etc.

O importante é que o padrão e a base de atualização de pacotes sejam únicos, de forma que realmente o sistema operacional se consolidasse como LINUX e não como uma variante do sistema operacional.

Não que novos projetos e distros fossem abandonadas, mas se o foco é o usuário final e fazer o sistema operacional crescer em uso em desktop, alguns conceitos terão que ser derrubados e as grandes distros começarem a se interagir para fazer uma base única.

Isso até tentou ser feito pela Conectiva, Mandrake e Suse com uma distribuição conjunta (que já até esqueci o nome) e que não foi para frente, pois quiseram fazer somente para fins comerciais e com o custo superior ao Windows 2000 na época.

Com a popularidade que o Ubuntu tem hoje, para mim essa distribuição foi a que mais conseguiu alcançar um patamar para quase uma padronização do Linux devido a grande quantidade de usuários no mundo inteiro. Isto é, se todos usarem o Ubuntu, ele se tornará padrão e que por sua vez seria uma espécie de representante oficial do Linux em desktop. O mesmo seria com outras distribuições caso também fossem tão usadas como o Ubuntu.

Conclusão

Para mim o apelo de promover o Linux como um sistema operacional free, leve, seguro e livre de vírus é ultrapassado. Não é mais isso que o usuário quer ouvir, primeiro porque já não é tão leve como antigamente, segundo porque assim como o MacOS X e o Windows, caso o usuário não realize as atualizações, o sistema torna-se inseguro. No caso de livre de vírus, bem, isso é verdade, mas os usuários Windows de alguma forma louca já conseguem conviver com isso, senão já teriam abandonado o sistema há muito tempo e os que realmente resolvem abandonar por causa disso, acabam indo para MacOS X que tem o mesmo apelo.

Enquanto não desenvolverem alguma suíte Office que realmente consiga competir com o da Microsoft, uma grande parcela de usuários não terá motivo algum para utilizar o Linux. Há necessidade de desenvolver ferramentas Office interessantes para o Linux e que rode nativamente e com desempenho muito bom, pois duvido que um dia a Microsoft compile o Office para ser utilizado no Linux.

Rodar no Wine não é uma boa alternativa. Já fiz muito isso e diversas vezes deu problema travando ou fechando fazendo eu perder trabalhos.

Já no que refere-se ao Photoshop e Lightroom, também há necessidade de desenvolverem ferramentas semelhantes e com algum recurso que chame muita atenção desses usuários para que haja o interesse de trocar de ferramenta. Não sou especialista nessa parte gráfica, mas as pessoas que eu conheço não trocariam o Photoshop por outra ferramenta nem matando.

Em relação ao excesso de distribuição e cada uma com os seus excessos de particularidades é uma boa forma de afastar os novos usuários.

Hoje o Linux é um excelente sistema operacional para desktop e não perde para outros sistemas. A minha combinação favorita é o Ubuntu + Gnome, mas para mim, que sou um usuário Linux por muitos anos e que mal tive contato com as ferramentas utilizadas no Windows, nada faz falta para mim, mas para um usuário novo, sair do Windows para Linux, realmente tem que haver algo que chame muita atenção e ferramentas que consigam competir de igual para igual ou com superioridade com as quais eles já estavam utilizando, senão, o MacOS X acabará sempre sendo a melhor opção para quem deixar de utilizar o Windows como sistema operacional.

  • http://lovato.com.br/2010/10/seria-o-ubuntu-a-distribuicao-oficial-no-mundo/ Seria o Ubuntu a distribuição oficial no mundo? | lovato.com.br

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